[originalmente escrito em Abril 29th, 2007]
Parece curioso que este blog vá iniciando seus desenvolvimentos pela categoria ‘cinema’, que como disse antes, relutava até mesmo em incluir uma. Mas as impressões sobre o samurai Seibei foram tão marcantes que ensejaram várias reflexões. Inclusive, esta postagem talvez fosse melhor situada em outra categoria, como ‘costumes’, talvez. Mas vai aqui mesmo, pois já há outras sendo planejadas, ainda a partir do filme, como se poderá ver adiante. A questão a ser considerada aqui é a personalidade do samurai Seibei, no filme. Acho que já comentei na postagem anterior que uma das características mais marcantes do filme em questão é a atuação dos caracteres (personagens). O peso deste filme se encontra aí. E todos os (sic) personagens organizam-se em volta de Seibei, que é o foco da narrativa e possui a carga maior de desenvolvimento nestes aspectos da persona dos personagens. Seibei é um homem que tem levado uma vida bastante difícil, como se poderá ver pelas resenhas do filme nos links ao lado nesta categoria. Sozinho com a responsabilidade de cuidar de suas duas filhas ainda crianças, além da mãe senil, que muitas vezes sequer o reconhece, possui um emprego (uma espécie de contador) enquanto samurai, na casa principal do clã a que pertence. Seu abandono é completo, o cuidado consigo também, pois além de ter seu emprego também faz serviços manuais, fabricando gaiolas, depois do expediente. Além disso, também deve dar conta de ser agricultor para abastecer as suas necessidades básicas e da família. Anda de roupas rasgadas, sujas e não toma banho com regularidade. Mas Seibei tem no passado os fundamentos de sua conduta humilde. Foi aluno e instrutor de esgrima em uma escola de renome no Japão da época, mas suas habilidades como homem de espada, estão relegadas a segundo plano, está assim fora de forma. Mais de uma vez Seibei é levado a ter que fazer uso de suas habilidades com a espada e é então que demonstra, para espanto daqueles que o cercam, e também para o espectador, que ele não é tão miserável quanto possa parecer. Ele é um mestre da esgrima, mestre da espada, um samurai de segunda classe, mas um exímio espadachim. Vence o filho beberrão de um nobre do clã que o desafia para um duelo empunhando apenas um sabre de madeira, no estilo mais emblemático possível, lembrando a história de Miyamoto Musashi, aquele outro samurai de grande fama, autor do “Livro dos Cinco Anéis”.
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