domingo, 19 de agosto de 2007

O Cinema Japonês de Y. Yamada

[Escrito originalmente em Abril 28th, 2007]


Havia relutado em incluir a categoria sobre cinema neste blog. Posteriormente posso comentar o porquê da relutância e, inclusive, também porque incluo o teatro (enquanto espetáculo) na mesma categoria. Mas, por agora, quero registrar que havia também pensado que se incluisse postagens sobre cinema seriam no máximo sobre o cinema de Peter Greenaway, o cinema iraniano de Kiarostami e Makhmalbaf e o americano de todas as épocas, especialmente Spike Lee e Jim Jarmusch. Bom, a verdade é que tudo isso não passa de mera desilusão com esta arte, maltratada ao extremo (por que?) e que parece ultimamente ter sido relegada ao egocentrismo da classe cinematográfica em que os participantes parecem querer atribuir mais interesse a si próprios do que à obra de arte. O negócio (!) é que o cinema também virou indústria. Mas, desilusões de lado, o que pode restar a simples espectadores, como a mim e a Clara, minha companheira e parceira de todas as horas, se não esquecer tudo isso e procurar curtir um filme legal? E foi isso o que aconteceu aqui em Curitiba, em uma mostra do diretor Yoji Yamada no Ciclo de Cinema Japonês. O fato é que nunca havia ouvido falar deste diretor e com uma semana inteira de três exibições por dia, dez filmes e, ainda por cima, com entrada franca, parece que só aqui mesmo, nesta cidade e no Cine Luz, em que nos fins de semana a entrada custa 1 Real. Entramos meio descrédulos e assistimos ao filme “O Samurai do Entardecer” [Tasogare Seibei] (2002).




Faltando menos de cinco minutos para começar a exibição, tivemos tempo de olhar em volta e perceber que estávamos cercados por espectadores de origem japonesa, conversando na sua língua de origem, como se tivéssemos sido transportados, de repente, para dentro de uma sala de cinema em pleno Japão, ou em algum bairro oriental de algum país de imigração, o que no fim das contas, com exeção do bairro oriental, é exatamente o que acontece aqui em Curitiba, que possui grande número não só de japoneses, mas também de chineses e de coreanos. Olhando mais para o lado, percebíamos um ou outro que não era oriental e, à nossa esquerda, uma mulher que poderia ter vindo direto de qualquer país da África não árabe, com um lenço alaranjado em volta da cabeça como um turbante. Quanto ao filme, foi realmente uma ótima opção. Com um enredo bastante interessante e sem nenhuma característica especial na forma narrativa, o forte se encontra na atuação e caracterização dos personagens. O filme retrata a vida de um samurai no Japão do século XIX, que é um período de transformações na história do Japão em que as relações sociais estão sendo modificadas, a guerra entre os clãs aponta para o fim da classe dos samurais. Aqui é preciso conhecer a história do Japão para poder dizer algo mais consistente e, no meu caso, estou impossibilitado, pois não tenho esse conhecimento. De qualquer forma, nada disso é pressusposto necessariamente para se apreciar o filme. Como dizia, no início desta postagem, entre aquelas opções que pensava incluir ainda como interessantes, do meu ponto de vista, certamente incluiria o cinema japonês de Kurosawa e agora, também o de Yamada.

Um comentário:

Anônimo disse...

Você tem o mesmo gosto que eu. To aqui me desfrutando com o Eros Massacre, um filme raro nipônico.